24 abr
por Patida Mauad 0 Comentários

Petite Mort, masturbação feminina!

Foi em um sábado à noite entre amigos degustando vinho e risadas…

A casa da Priscila Prade, o autor da obra Alexandre um dos convidados, o conheci ano passado com uma amiga Andrea Nero.

Conversando surgiu a história desse projeto fodástico e fiquei com isso na cabeça…

Resolvi falar com a Pri sobre e ela sugeriu coloca no blog.

Era isso que eu queria desde aquela noite.

Convidei ele topou.

Aqui a entrevista onde ele compartilha sobre a lindeza da obra.

Arte é assim emociona e surge da maneira mais inusitada nas nossas vidas.

Quem é o Alexandre Eschenbach?

Sou uma pessoa que gosta de ver um mundo com um olhar lúdico e que acha mais legal viver onde existe o monstro do lago Ness a um mundo onde tudo é explicado e racionalizado. Gosto do manual e sensorial e desde pequeno  criar faz parte da minha essência e aprender sempre foi natural para mim.

O que você faz?

Trabalho com animação publicitária desde os 17 anos e estou terminando uma pós-graduação em Arteterapia, mas também tenho um lado artista plástico, marceneiro, bordador, escultor e curioso.

Como surgiu o projeto Petite Mort?

O Petite Mort surgiu quando vi alguns posts falando de masturbação feminina ( a sexualidade sempre me interessou) e ao ler os comentários percebi o quanto a prática era condenada e até demonizada pelas pessoas ( homens e mulheres) , além de ver o quanto muitas mulheres não chegam ao orgasmo por conta de medo e tabu. Então achei que poderia trazer um olhar diferente  e tentar diminuir um pouco este preconceito em relação ao prazer feminino. Foi um projeto que ficou na minha cabeça por muito tempo até começar a tomar forma; no início seriam peças com técnicas variadas, mas ainda muito focadas na masturbação em si, o que acabava voltando para um clichê do que já rolava por aí, até que uns dois anos depois acabou tomando essa forma final. Estava terminando minhas aulas na pós-graduação onde tive muito contato com simbologia  e mitologia, e isso acabou  me levando por essa jornada.

A Priscila Prade soube deste meu projeto e quis publicar em sua revista online chamada Jam cultural e isto foi o passo final para a execução do projeto ( Ela fez as fotos das esculturas e pinturas em seu estúdio deixando tudo mais belo ainda).

De onde veio à inspiração para construção das esculturas?

 Pensei em uma jornada pelo prazer, onde aos poucos a mulher vai deixando o “mundo físico” e adentrando um mundo de pura sensação e prazer, onde se “perde o controle” e se tem contato mesmo que por um breve momento com a sua essência e energia mais pura. Acabei fazendo esse caminho primeiro pelos materiais usados, onde começo com a escultura em argila, representando o material, a terra, o sólido e aos poucos ela vai se deixando “fluir” para o outro mundo e a aquarela vai ficando cada vez mais presente até que nada mais de argila exista na imagem e tudo vire só pintura. A água simbolicamente carrega as emoções e as faz fluir dentro de nós, por isso escolhi a aquarela, uma tinta cuja base é a água.

Alguma curiosidade durante a construção das mesmas?

 Foi um grande processo de experimentação pois tinha que pensar em como fazer a transição dos materiais e ainda experimentar com enquadramentos e poses das esculturas para que a jornada fosse mostrada mas que também conseguisse dar um clima sensual e não sexual, assim senti que poderia atingir as mulheres de uma maneira mais amorosa. Primeiro fiz pequenas maquetes e fotografei em casa para experimentar e fazer marcações das pinturas e só depois parti para as peças finais que foram fotografadas pela Priscila Prade.

Achei curioso e incrível um projeto tão feminino ser realizado pelo masculino, conte ai?

Desde pequeno participei muito do mundo feminino, aprendi pintura com a minha avó, e minha mãe também mexia muito com arte e artesanato. Passava muito tempo com elas tendo contato com vários materiais, além de sempre me achar uma pessoa sensível, fora do padrão masculino do “pegador” e machão. Com esse contato todo acabei tendo mais amigas do que amigos e este universo feminino sempre se manteve mais interessante para mim ( não gosto de futebol, jogo pouco videogame e respeito as mulheres, ou seja, quase não tenho assunto com homens em geral, kkkk) ,  com isso também fui compreendendo mais  as mulheres e participando cada vez mais deste universo. O que foi curioso foi reparar o quanto um homem falar de algo tão íntimo feminino incomoda as próprias mulheres e tive amigas que se recusaram a ver o projeto por acharem que por ser homem não possuo ” lugar de fala”, mas acabei não desistindo e resolvi dar luz a esse projeto tão desafiador.

O que te deixa realizado? 

Fazer arte e ajudar as pessoas.

Um sonho? 

Conhecer em Nantes na França uma companhia de marionetes gigantes chamada ” Les Machines de L’île”

Um desejo? 

Conseguir trazer mais o “fazer” para a vida das pessoas e integrar isto com a Arteterapia e com isso tentar deixar o mundo um pouco mais belo e lúdico.

Obrigada Ale por compartilhar com a gente tamanha delicadeza.

E que seus sonhos se realizem!

Fotos: Pricila Prade

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