04 jan
por Patida Mauad 0 Comentários

Infância no Interior

Nasci em Ubá e morei até os 7 anos.
É incrível como fez diferença morar no interior.

A experiência de vivenciar a natureza proporcionou cuidados e olhares para vida com um diferencial, isso pra mim é claro.

A casa que nasci tinha galinheiro, árvores frutíferas, um luxo. Imagina a curtição de ir pegar ovos para o almoço, colher verduras.

Claro que fui privilegiada de ter avô por parte de mãe fazendeiro. Vovó teve a primeira fábrica de doce de leite no Brasil. Meu tio tinha fábrica de queijos e meus pais aventureiros, belo “pacote” não é mesmo?

Quando acordava na fazenda o primeiro movimento era pegar a canequinha na cozinha e correr para o curral. O leitinho vinha direto da teta para a caneca. Ali ficava me deliciando com o movimento dos empregados na missão.

A fazenda do meu avô Manuel Carvalho era a única da região onde não mantinham os empregados escravos. Tenho um orgulho danado dessa história.

Lembro-me dos banhos de rio, passeio a cavalo, caminhadas na natureza. As brincadeiras com as galinhas, casinha de barro para crianças no quintal, colhêr frutas subindo em arvores.

Outra lembrança incrível que tenho eram as pescarias onde as crianças dormiam na Kombi e os adultos em barraca.

Era comum nos fins de semana pic nic nas cachoeiras vizinhas, os adultos e a turma de filhos as idades variavam, mas sintonia era fina e maravilhosa. Quanta curtição.

Fins de semana na casa do tio Luís da fábrica de queijos, era uma delícia, podíamos passear dentro e ver tudo funcionando. Na casa da Tia Neném, esposa do Tio Luís e irmã da mamãe,  onde ficávamos hospedados, tinha uma mesa enorme, era assim que eu via pequenina, cheia de biscoitos, queijos, doces em compota, bolos, pães tudo feito em casa a nossa espera. Tenho essa imagem na memória como uma fantasia, sabe.

Aos 21 anos sai de casa fui morar no Rio de Janeiro depois aos 23 mudei para São Paulo.

Algumas histórias que aconteciam mostravam no meu dia a dia como foi valioso viver a infância no interior.

Lembro-me de uma amiga aos 20 anos, paulistana chegando em casa eufórica que havia viajado no fim de semana e conheceu vaca. Oi?!  Eu olhava pra carinha dela feliz da vida e perguntava… E? Ríamos muito quando eu contava minhas experiências. Aos poucos fui me acostumando com essas diferenças e cada vez mais agradecida por ter tido oportunidade de viver livre e em contato com a natureza.

Dei aula de Artes em escola particular em SP por 5 anos. A faixa etária dos alunos de 6 a 17. Tinha um exercício que fazíamos em todas as voltas de férias, contar o que fizeram, lembro de varias vezes voltar chorando pra casa.

Explico… 70% das crianças passavam as férias trancadas em casa sem nenhuma atividade fora,  era comum esses relatos.

Uma minoria viajava só no verão onde as histórias aconteciam. Estou falando do comecinho dos anos 80.

Gratidão aos meus antepassados, aos meus pais e a vida na natureza!

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