Plas
Um caso de amor…
Primeiro pelo Maurice Plas alfaiate e chapeleiro, nos tornamos amigos de trabalho, proprietário do atelier/loja. Quando cheguei em SP a primeira rua que fui conhecer na integra foi a Rua Augusta, morava do lado e saber o que acontecia por lá foi a primeira curiosidade.
Deparei-me com uma porta de madeira e vidro, com duas vitrines charmosíssimas recheada de alfaiataria masculina, gravatinhas borboleta, boinas e chapéus com personalidade, pirei. Ali ficava minutos assistindo aquela cena comparável a um clássico filme de época, uma cena única, naquele momento nascia uma lembrança que sabia seria para sempre. Demorei anos para entrar, não me perguntem por quê.
Depois de anos produzindo para varias revistas brasileiras e internacionais, resolvi visita lo, o que tinha ali era único. Lembro-me dos seus olhinhos azuis debaixo dos óculos, sempre de boina, suspensórios, gravata, um charme.
Nos tornamos amigos, sempre que ia lá já reservava um tempinho maior para aquele papo além da produção, que nós sempre emendávamos.
Maurice se foi em 2015, eu estava morando em MG.
Semana passada, fui à loja e fiquei de conversa com o filho Maurice, lembrando e revivendo nossas histórias, ele me contando histórias do pai, sua chegada ao Brasil, do casamento, da relação dele com o pai e eu das minhas conversas.
O atelier continua com suas memórias, mas os olhos azuis partiram, deixando lembranças vivas no meu coração.
Uma visita obrigatória nos rolês no Baixo Augusta.


