Praia da Paixão, BA – Amor de Pescador

Foi em um momento difícil que nos conhecemos.
Difícil por nada, difícil por tudo.
Foi numa manhã de quarta feira, deitada na praia, um bom livro, água de coco, dia de sol.
A praia? Da Paixão, na Bahia, sugestivo e perigoso nome.
A minha alegria mora no mar desde criança, onde aprendi a nadar aos cinco anos de idade sozinha…
Final de tarde, como de costume, fui nadar, nadar no mar.
De repente, vejo meio perto, meio longe, um barquinho azul, descascado da cor laranja, chegando perto e passando por mim, observo… Nele, um homem alto, moreno caramelado, rosto forte, braços torneados, remo na mão; acada remada, dava para ver os músculos fortes que brilhavam no sol.
Resolvi acompanhar, discretamente nadando, aquele pequeno grande barco que em poucos metros saia do mar. Fizomesmo.
Existe um truque, coisa de pescador, para retirar sozinho o barco do mar, mas resolvi perguntar se precisavade ajuda e a resposta, acompanhada de um lindo sorriso, foi… Não, muito obrigado!
Sorri e perguntei se havia pegado muitos peixes e ele respondeu que um pouco.
Fui pra casa, uma casinha de madeira que sempre alugo na areia, poucos metros dali, de onde da janela do meu
quarto, há alguns dias, via aquele homem chegar e sair para o mar, duas vezes ao dia.  Não resisti,fotografeitudo.
No dia seguinte, como de costume, saí para minha caminhada matinal, mas um pouco mais tarde, o que me permitiu encontrá lo chegando do mar, e vagarosamente cheguei por trás dele e falei… bom dia pescador!!!
Numa virada suave ele me deu um largo sorriso e respondeu, bom dia!
Sorrindo, saí para passear, louca pra olhar pra trás,  mas resisti, rs.
Normalmente caminhava umas duas horas.
Ao voltar, ele estava sentado no barco comendo um coco, passei, fui em casa, peguei o meu livro, a cadeira,uma água de coco e pousei na areia daquele paraíso, agora, com um gostinho diferente.
Ali,claro, não consegui ler, sabia que os olhos dele passeavam por mim, estávamos uns cinquenta metros um dooutro, o que nos permitia, perfeitamente,  uma troca de olhares, que aconteceu num tempo curto, mas pra mim, interminável. Pensava… Preciso falar com este homem, não tenho hábito de abordar e sim ser abordada, o que me dificultou chegar até ele. Ameaçava e nada, daí me veio uma luz, uma força que me fez pensar, ”tá louca, uma praia quase deserta, um homem comum e você aqui sozinha, o que pode dar errado, larga de ser boba e vai”.
Fui,cheguei, dei um oi meio acanhada, pedi pra me sentar no barco, e a resposta foi, fique à vontade, seguidanovamente de um sorriso.
Agora de perto, via os olhos dele brilharem como duas esmeraldas; sim, ele tem olhos verdes de dia e caramelos à tarde. Ali fiquei durante três horas falando da vida, do mar,do
sol, amenidades deliciosas.
Chegava novamente a hora de ele voltar para o mar, foi, fui tomar uma cerveja, comer um peixe frito; soube que o peixe meu de todos os dias vinham das mãos daquele pescador.
A casa que alugo é de um casal, Valda e Zeinho, meus anjos da guarda, amores e família naPraia da Paixão. Fuilogo perguntar pra Valda quem era aquele homem, com um largo sorriso que só. Ela disse, é o Jaja, como eleé lindo, eu digo, e ela me diz que é uma pessoa maravilhosa, de um coração único, tímido e lindo mesmo, rs.

 

Voltou do mar, despedimos com um tchau até amanhã e ele foi pra cidade. Fazia isto todos os dias de bicicleta, 7 km até a cidade pela areia, ufa! Na manhã seguinte, saio para a caminhada bem mais cedo e vejo o barco lonnnnnnge, volto, e de novo grudamos em uma longa conversa no barco. Ele perguntou se eu gostava do mar, de barco; eu, que sempre amei estes dois, respondi que sim. Na sequência me pergunta se iríamos só ficar ali conversando, respondi, por que, tem alguma sugestão?
E ele, sim. Vamos passear na praia, óbvio topei. No caminho, risadas, olhares, e finalmente o beijo, o toque suave daquela mão forte, que delícia, um homem forte delicado, cheiroso e amoroso como ele só, pirei. Ficamos ali abraçados ouvindo as ondas do mar bater nas pedras, poderia morrer naqueles braços, voltamos, pois o mar o chamava. Veio o convite para sair com ele na manhã seguinte, normalmente às cinco da manhã, lógico, topei, e ele brincando será que vai acordar?

No dia seguinte, eu estava linda e cheirosa, às quatro e cinquenta da manhã prontíssima. Detalhe este seria meu último dia na Paixão…Adivinhem? Cancelei a ida e fiquei mais um dia, onde novamente fui para o mar e passamos o dia como se aquele fosse nosso último encontro… Não foi.

Viajei no dia seguinte para Marataízes, Espírito Santo, fui passar uns dias com meus pais. Chorava quando acordava, algo muito importante havia acontecido ali naqueles três dias. Falávamos ao telefone e a sensação de paz e alegria que sentia no meu coração era muito forte. Passaram meses, nos falávamos todos os domingos. Tinha que ligar no celular da amiga Valda para falar com ele, a única forma disto acontecer.

Ficamos uma vez, uma semana sem nos falarmos, pois eu viajava a trabalho. No domingo próximo, meu telefone fixo,  só falava no celular, começou a tocar às 6:30, 7:30, 8:30, resolvi levantar e atender… Para a minha surpresa, era ele, numa felicidade que parecia uma criança, para me dar bom dia e me comunicar que havia comprado um celular. Esta foi a melhor notícia que aconteceu naqueles dias, uma prova de amor?! Talvez, a solução pra eu poder, sempre que quisesse, e a qualquer hora, dizer o quanto ele estava me fazendo feliz!

15 dias na Praia da Paixão

Maio, acabei de chegar de quinze dias na Praia da Paixão onde o amor e a alegria foram omais importante. Estamos apaixonados e muito felizes. Onde vai dar? Não interessa, já valeu. O amor é!

2 Comments On “Praia da Paixão, BA – Amor de Pescador”

  1. Linda história!

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