20 ago
por Patida Mauad 0 Comentários

O encontro de Nossa Senhora Terezinha

Respire, inspire… Lá vem historia forte!

Minha avó mãe da mamãe era devota de Santa Terezinha, mamãe é devota de Santa Terezinha e agregados da família também. Eu tenho todo o respeito pela Santa Terezinha e fiz dela uma das minhas protetoras de vida. Santa Terezinha é cumplice da mamãe e milagres já aconteceram nesses 96 anos dela.

Na fazenda onde  minha mãe nasceu havia uma capela com a imagem de Santa Terezinha. Há muitos anos a fazenda foi vendida.

Quando comprei meu terreno na Bahia, faz uns 10 anos, meu primeiro desejo foi…

Vou tentar e procurar, sabia que seria uma super mega missão, a Santa Terezinha que ficava na capela da fazenda e levar para Bahia, isso acontecendo construo uma capelinha para coloca la. Falei com mamãe e ela respondeu… Ih minha filha vai ser muito difícil, mas vou ver por aqui. Iniciou a missão, fala com os sobrinhos em Ubá, com tias e nada.

Desistimos, não havia muitos caminhos na verdade.

Passaram se uns 7 anos, foi quando resolvi mudar de SP para Jf em MG, isso foi em 2007. Antes de mudar programei realizar alguns desejos para resgatar minhas histórias, lugares e cidades que fizeram parte da minha infância e havia anos que não ia. Isso incluía papai e mamãe, a ideia era irmos juntos.

Cheguei em JF dia 4 de junho de 2007, 15 dias depois foi diagnosticado câncer no papai. Já estava bem avançado e sabíamos o que aconteceria. Tenho uma irmã Neuza, médica, o que nos alivia demais em caso de doença.

Meu primeiro ano não foi nada fácil. Ver papai partindo foi muito triste, mas ao mesmo tempo uma gratidão enorme em poder estar próxima dele já que agora minha casa era em JF. Acompanha lo no seu ultimo ano de vida foi incrível. Ele faleceu dia 20 de julho de 2008.

Conclusão demorou uns dois anos para iniciar a missão de resgate das nossas histórias.

Mas ela veio radiante e cheia de emoções junto com mamãe.

Foi quando em uma visita ao Tio Paulo, irmão da mamãe com 82 anos, hoje falecido, na cidade de Tocantins, MG perto de Ubá a cidade que nasci, aparece o vizinho da frente para ver mamãe.

Laís quanto tempo que bom te rever! Começaram a conversar contando histórias das famílias, quando de repente ele falou… Laís sabia que a fazenda onde você nasceu foi vendida há pouco tempo.

Opa…

Você o conhece o dono, perguntei?

Sim.

Meu coração disparou e perguntei. Tem como você nos levar lá?

Claro só combinar e marcamos com ele.

Acelerou meu coração, caraca vou conhecer a fazenda dos meus avós onde tantas histórias maravilhosas me foram contada.

Voltamos a JF levei seu telefone e combinamos.

Alguns poucos meses depois estávamos indo busca lo em Tocantins agora  para realizar o primeiro e grande passeio mágico. Vivenciar o local onde mamãe nasceu uau!

Eu sempre tive carros trator, por ser aventureira e entrar em tudo quanto é tipo de estrada, portanto estávamos preparadas.

Já fui me emocionando na estrada, pensando como seria na época se agora já estava ruim. Vovó Francisca, mãe da mamãe morreu aos 90, minha Lala tem hoje 96, putz mais de 200 anos isso tudo.

Fomos os três emocionados, eles contavam histórias do meu avô, da fazenda, dos vizinhos, do matador da região que tinha enorme respeito pelo vovô Manoel o Neca Dias, dono e criador da primeira fabrica de doce de leite no Brasil, amigo de Juscelino Kubitschek, eu orgulhosa sorria por estar tendo o privilégio de vivenciar isso tudo.

Chegando ao longe avistei a casa linda, antiga, descuidada. Tivemos que estacionar alguns metros, havia um rio onde carro não passava.  Arregaçamos as calças tiramos os sapatos e atravessamos o rio de pedras de água cristalina e fria, felizes da vida. Chegando próximo apertei a mão da mamãe me emocionei. Ao longe vejo um homem com seus 50 e poucos anos, sorriso no rosto vindo em nossa direção.

Que prazer recebe las afinal somos parentes. Oi? Sim ele era parente distante dos Carvalho por parte da vovó e Lala não imaginava e nem conhecia essa parte da família distante.

Lala olhava curiosa ao redor, quando meio aflita veio a primeira pergunta.

Onde está a capela, onde foi parar a capela?

Ele, olhar meio decepcionado responde… Deu uma tempestade e ela caiu.

Mamãe ainda aflita e a Santa e a Santa Terezinha? Gelei.

A Santa caiu e quebrou a cabeça.

Nesse momento emocionado, perguntei, e a Santa Terezinha?

Esta lá dentro da casa.

Inacreditável a Santa estava ali a poucos passos de mim.

Você pode me mostrar?

Claro.

Lá estávamos nós de frente para a Santa machucada sem o rosto e a cabeça cortada. Peguei acariciei emocionada. Contei toda a história da nossa busca para encontra lá e ao fim da historia arrisquei. Você nos daria essa Santa para levarmos para casa? Ele me olhou já emocionado e respondeu… Não venderia por dinheiro nenhum, mas vou te dar com o maior prazer, afinal somos da mesma família.

Chorei!

Como a vida é maravilhosa gente, lá estava eu realizando um desejo já abandonado há anos. Continuamos a visitar a casa, mamãe emocionada contando suas histórias, mostrando o quarto que ela dormia o cantinho onde meus avós construíram uma escolinha onde vovó dava aula aos filhos dos empregados; trouxe um azulejo hidráulico solto no chão da sala de lembrança. A fábrica de doce de leite desenhada e construída pelo meu avô, que benção tudo isso.

Poucos anos depois soubemos do falecimento dele na fazenda, um enxame de abelhas foi à causa.

O próximo capítulo sim ele existe e é maravilhoso, vou contar como foi o caminho para restauração da Santa Terezinha, agora nossa, iniciado alguns meses depois que a peguei.

Desculpem meu coração não dá conta para escrever as duas histórias no mesmo momento.

Confira os posts relacionados

Deixe seu comentário

instagram
© 2018 Patida MauadDesenvolvido com por